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Feira Hippie: patrimônio dos goianos

Atualizado: há 4 dias



Com quase 60 anos de existência, a Feira Hippie é a maior feira ao ar livre da América Latina. São mais de 6 mil bancas e milhares de trabalhadores envolvidos num segmento forte da economia local e do turismo de negócios da cidade.


A ligação do goianiense com a feira é entranhada no costume de ter um ponto de encontro da família e amigos para compras e lazer. Quando surgiu, Goiânia era uma jovem capital e nos idos dos anos 60 e começo dos anos 70, os hippies eram uma vanguarda, na defesa do estilo paz e amor e da "sociedade alternativa", baseada em valores comunitários.


Então, se reuniam para vender bijuterias e artesanato nas ruas da cidade, marcando o espírito de uma época de busca pelo novo. Deram nome à feira que logo agregou artesãos goianos com seus cestos de vime e palha, objetos de madeira, quadros, flores secas para arranjos e, nos primórdios, até artesanato indígena, além de comidas típicas e das apresentações de artistas populares.


Do tempo que ficou na Avenida Goiás, a feira se tornou passeio obrigatório dos domingos de manhã. Era onde se podia ver as pessoas, as novidades, conversar nas calçadas e aproveitar a avenida fechada para o trânsito, mas aberta para a multidão. A expansão agregou, a partir dos anos 80, toda uma gama de produtos da nascente indústria da confecção e da manufatura de bolsas, calçados, enxovais. Foi preciso mudar para um lugar mais amplo: a Praça do Trabalhador. Nos anos 2000 vieram os eletrônicos, artefatos de todo tipo e a feira só crescia, diante da força dos mercados nascentes.


O crescimento trouxe regulamentações, a interferência do poder público sobre a atividade e a necessidade da organização dos feirantes já, então, um segmento elementar para a economia, para o desenvolvimento da cidade e de toda região metropolitana.


O poder público tem, portanto, o dever de reconhecer a importância do trabalho cotidiano de milhares de pessoas - que se adaptaram diante das dificuldades e contribuíram para o surgimento de um polo confeccionista de destaque nacional - e promover condições para que continuem demonstrando sua criatividade e talento.


Por isso, defendo, por meio de projeto apresentado na Câmara Municipal, que a Feira Hippie seja declarada patrimônio cultural imaterial de Goiânia. Título mais que justo e apropriado, quando reconhecemos o poder do trabalho de um povo capaz de criar e consolidar atividade tão identificada com a cidade, a ponto de se tornar símbolo dela.

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CÂMARA MUNICIPAL DE GOIÂNIA - Gab. 15                                     Vereadora Priscilla Tejota                                        priscillatejota@camaragyn.gov.br                    (62) 3524-4305